REQUERIMENTO

(Do Sr. João Alfredo Telles Mello)

Requer o envio de Indicação ao Ministério do Esporte, sugerindo a participação das entidades de administração do desporto e de entidades de prática desportiva na mobilização pela paz mundial.

 

Senhor Presidente:

Nos termos do art. 113, inciso I e § 1o, do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, requeiro a V. Exª. seja encaminhada ao Ministro do Esporte a Indicação em anexo, sugerindo que o Ministério do Esporte recomende a participação das entidades de administração do desporto e de entidades de prática desportiva do Brasil na mobilização pela paz mundial, contra as guerras e a violência, através, por exemplo, de campanhas educativas nos estádios e centros desportivos por ocasião de jogos e competições.

Sala das Sessões, em de de 2003.

Deputado JOÃO ALFREDO TELLES MELO

 

30084809-004

INDICAÇÃO No , DE 2003

(Do Sr. João Alfredo Telles Mello)

Sugere a participação das entidades de administração do desporto e de entidades de prática desportiva do Brasil na mobilização pela paz mundial, contra as guerras e a violência, através, por exemplo, de práticas e campanhas educativas nos estádios e centros desportivos, por ocasião de competições e jogos.

 

Excelentíssimo Senhor Ministro do Esporte, AGNELO QUEIROZ:

Os cidadãos do mundo mobilizam-se em busca da paz.

Querem um mundo onde seja possível desenvolverem-se as potencialidades humanas em plenitude.

Sonham com um planeta Terra em que haja alimento para todos e em que sejam também saciadas as fomes de equilíbrio, beleza, respeito à diversidade que enriquece e plenifica a harmonia do conjunto inteiro.

Os cidadãos do mundo sonham com um mundo em que a solidariedade seja mundializada e a convivência seja possível sem uma globalização escravagista.

Os cidadãos do mundo imaginam uma sociedade sem o terrorismo de grupos, nem o terrorismo de Estado, equânime no acesso à educação, à saúde, à cultura, independente de gênero, raça, religião ou credo político.

Os cidadãos do mundo querem uma vegetação pujante, não destruída por cogumelos atômicos...

Os cidadãos do mundo sonham ver equipamentos bélicos transformados em suprimentos agrícolas, escolas, hospitais.

Os cidadãos do mundo desejam bolas, não bombas. Cores de nuvens, arco-íris, nasceres e pores de sol, não tintura de sangue, incêndios e destruição.

Os cidadãos do mundo querem e têm direito à paz feita de preparação para a paz autêntica e sadia, não da paz fictícia, doentia, forjada, feita de preparação para a guerra e de violência. Si vis pacem para pacem e não si vis pacem para bellum!

Os cidadãos do mundo almejam uma cultura de paz: não a paz passiva da indiferença amarga e alienada, mas a paz participante e engajada da inclusão social que acredita na possibilidade de um outro mundo e o constrói, com ações positivas, dia após dia.

Ousemos imaginar, pois, todos os povos vivendo a vida em paz, sem dominação, ganância ou fome, fraternalmente compartilhando a vida.

Neste sentido da paz mundial, contra a intervenção militar no Iraque, este Parlamento já aprovou moção por unanimidade.

Compete-nos cultivar um ambiente de paz, todavia, dando-lhe substrato em cada casa, bairro, cidade, país, identificando, assumindo e enfrentando os conflitos e buscando dirimi-los construtivamente.

Desta forma, encaminhamos a presente Indicação ao Poder Executivo, endereçada ao Ministro do Esporte, o experiente médico Agnelo Queiroz, para que faça recomendação às entidades de administração do desporto (confederações brasileiras das várias modalidades desportivas, tais como a Confederação Brasileira de Futebol, Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, volibol, tênis etc.), através, por exemplo, de memorando ou portaria, no sentido de que, antes de qualquer competição internacional da qual participem seleções, atletas e agremiações esportivas brasileiras, seja, por exemplo, feito um minuto de silêncio pela paz e em memória das pessoas vitimadas pelas guerras e por todos os tipos de violência. No caso de competições realizadas em outros países (no futebol, a Taça Libertadores da América, por exemplo), sugere-se recomendar aos dirigentes das equipes brasileiras participantes que procurem acertar com seus anfitriões o mesmo procedimento, de modo a que se ajude a espraiar uma cultura de paz no mundo, o que poderá contribuir até mesmo para uma prática desportiva mais lúcida, com menor número de lesões agressivas, gratuitas e desnecessárias.

Recomenda-se, ademais, que sejam realizadas outras campanhas e ações coletivas objetivas em favor da paz, a cargo da criatividade e engenho das entidades de prática desportiva.

Aprovemos essa Indicação, lembrando-nos aqui outra vez de John Lennon: você poder dizer que sou um sonhador, mas não sou o único; espero ver você se juntar à gente algum dia e que o mundo viva integrado, cooperativo e uno.

Afinal, a solidariedade de um outro mundo é, sim, possível, conforme, aliás, tem demonstrado o exemplo dos fóruns sociais mundiais, realizados em Porto Alegre em 2001, 2002 e 2003. Apliquemo-la, também, ao esporte da vida e à vida do esporte.

Sala das Sessões, em de de 2003.

Deputado JOÃO ALFREDO TELLES MELLO