O IBAP - Instituto Brasileiro de Advocacia Pública nasceu com o nome de Instituto Paulista de Advocacia
Pública - IPAP.
Em sua origem conjugam-se pelo menos quatro
diferentes momentos e movimentos situados no
período de 1992 a 1994: os grupos independentes de
estudos formados no âmbito do Centro de Estudos da
Procuradoria Geral do Estado de
São Paulo; as repercussões do I Encontro Nacional de
Valorização da Advocacia Pública (1992); as
propostas de união entre Procuradores Autárquicos e
Procuradores do Estado, levadas por grupos isolados
no âmbito de suas respectivas instituições; e os
debates realizados pelos procuradores em exercício
na Procuradoria Fiscal acerca da condução política
dada no âmbito da PGE/SP.
Grupos de Estudos
sobre Interesses Difusos e Coletivos - No ano de 1994, o
Centro de Estudos da Procuradoria Geral do Estado de São
Paulo resolveu incentivar a formação de Grupos de Estudos
com total autonomia científica. Sob a coordenação técnica do
Procurador do Estado Guilherme José Purvin de Figueiredo e
com a participação ativa, dentre outros, de Marcia Camasmie
Peters, Ana Lúcia Câmara, Maura Roberti, Derly Barreto e
Silva Filho, Gisele Beltrame Stucchi e Roberto Augusto
Castellanos Pfeiffer, o primeiro grupo formado tratava do
tema "Interesses Difusos e Coletivos". Ao contrário do que
costuma ocorrer nos tradicionais cursos de atualização
jurídica, os seus participantes não procuravam certificados
ou títulos para promoção. Em suas primeiras reuniões, foi
estudado o significado da expressão Interesse Público. Os
debates eram inteiramente livres e incluíam questões
transcendentais, dentre as quais as seguintes: O Advogado
Público (Procurador do Estado, da União ou do Município)
deve obediência ao Chefe do Executivo ou aos princípios
constitucionais que formam esse Estado? Afinal, somos
Procuradores do Estado ou Procuradores do Governador
(Presidente ou Prefeito)? Diante do conflito entre os assim
chamados interesses primários e os interesses secundários da
Administração (distinção feita pelo juspublicista italiano
Renato Alessi), qual deles deverá ser perseguido pelo
Procurador do Estado?
Durante todo o primeiro semestre de 1994 Procuradores do
Estado (das áreas da Assistência Judiciária, do Contencioso
e da Consultoria) reuniram-se com Procuradores do Município
de São Paulo, professores da Universidade de São Paulo,
membros do Movimento do Ministério Público Democrático e da
Associação Juízes para a Democracia no âmbito do Centro de
Estudos da PGE/SP para debater essas e outras candentes
questões, o que culminou com a conclusão de que o Estado
(lato sensu) estava a dever à sociedade civil o cumprimento
de suas efetivas obrigações públicas decorrentes da plena
aplicação do disposto na Lei Federal 7.347/85 (Lei da Ação
Civil Pública).
Encontro Nacional de Valorização da Advocacia
Pública - A cidade de São Paulo, no mês de setembro de 1992,
sediou um evento de importância crucial para a história da
Advocacia Pública: o Encontro Nacional de Valorização da
Advocacia Pública. Pela primeira vez em nossa história,
reuníamos num evento Procuradores Federais, Estaduais e
Municipais para discutir o que nos firma nas plataformas de
decisão cultural e histórica do país. O evento contou com a
participação, dentre outros, dos juristas Miguel Seabra
Fagundes, Diogo de Figueiredo Moreira Neto, Ada Pellegrini
Grinover, Celso Antonio Bandeira de Mello, Maria Sylvia
Zanella Di Pietro, Geraldo Ataliba, Antonio Carlos Mendes,
Eros Roberto Grau, Luiz Sérgio de Souza Rizzi (membro do
Conselho Científico do IBAP), Carlos Ari Vieira Sundfeld,
Lúcia Valle Figueiredo, Roque Antônio Carraza e dos
Procuradores Gerais Fernando Luís Ximenes Rocha (CE), Jorge
Benjamin Curi (MS), Kildare Gonçalves Carvalho (MG), Ricardo
Aziz Creton (RJ), Gabriel Fadel (RS), Nelson Antonio Serra
(SC) e Michel Temer (SP).
União dos Procuradores da Administração Direta e
Indireta - O clima de debates e integração entre os diversos setores da
Advocacia Pública era extremamente propício para uma
integração entre Procuradores do Estado e de Autarquias. O
primeiro passo dado foi a reunião entre companheiros da
Procuradoria Geral do Estado de São Paulo, do Instituto de
Assistência Médica ao Servidor Público Estadual e do
Departamento de Águas e Energia Elétrica. O anseio comum
desses advogados públicos era introduzir no âmbito de suas
respectivas instituições um novo conceito de debate
político, que não mais tivesse em foco questões de cunho
meramente corporativo ou assistencial, mas que levassem em
consideração o papel do Advogado Público perante a
sociedade. A questão era, não reivindicar simplesmente
majoração de vencimentos, mas condições de trabalho que
propiciassem melhoria no serviço público prestado (por
exemplo, serviços de contadoria à disposição dos advogados
públicos para assessoria em fase de liquidação de sentença);
não a extensão do direito das "férias em dobro"
características de algumas carreiras jurídicas, mas a defesa
das prerrogativas do advogado público perante o Poder
Judiciário, através de uma atuação de efetivo apoio da
instituição diante dos conflitos eventualmente ocorridos
entre o procurador e o juiz de direito, na atuação do
primeiro em defesa do erário. Debates na Procuradoria Fiscal - Não podemos deixar de destacar
os debates que se realizavam na mesma época junto à
Procuradoria Fiscal da PGE/SP, onde eram questionados os
métodos e hábitos arraigados no âmbito daquela unidade. Um
grupo de jovens Procuradores do Estado, com a intenção
manifesta de aprimorar a defesa do Estado em juízo, começou
então a se reunir nos fins de semana, inicialmente com a
idéia de formar um movimento político de âmbito interno. Na
coordenação desse movimento encontravam-se, dentre outros,
Marcos Ribeiro de Barros e Clayton Eduardo Prado, presentes
no dia 12 de agosto de 1994 na Assembléia de Fundação do
IBAP.
Fundação do Instituto - Unidos os
participantes do Grupo de Estudos sobre Interesses Difusos,
da Comissão Organizadora do Encontro Nacional de Valorização
da Advocacia Pública, do grupo em formação da Procuradoria
Fiscal e do núcleo de integração entre Procuradores
Autárquicos e Procuradores do Estado, resolveram avaliar a
experiência recente dos companheiros do Ministério Público e
da Magistratura (Movimento do Ministério Público Democrático
e Associação Juízes para a Democracia), e decidiram então
organizar uma associação semelhante, que tivesse o objetivo
primordial de propor uma ruptura em concepções políticas
antigas e oriundas do período da ditadura militar no país;
uma associação que se preocupasse antes com questões
científicas do que corporativas; mas, também, uma associação
que, mais do que com finalidades meramente acadêmicas,
tivesse a coragem de enfrentar situações novas que se
mostrassem incompatíveis com os princípios da moralidade
administrativa e da indisponibilidade do interesse público e
com a meta de valorização democrática da Advocacia Pública,
mesmo que com isso viesse a se indispor com os eventuais
detentores do poder em suas respectivas instituições.
Imbuídos desse espírito de luta e de liberdade na
produção científica, no dia 12 de agosto de 1994, na sede do
Centro de Estudos da PGE/SP, reuniram-se os companheiros Ana
Lúcia Câmara, Ana Sophia Schmidt de Oliveira, Carlos Alberto
Americano, Carlos de Camargo Santos, Celso Augusto Coccaro
Filho, Clayton Eduardo Prado, Dionísio Stucchi Jr., Gisele
Beltrame Stucchi, Guilherme José Purvin de Figueiredo, João
Batista Aragão Neto, Luiz Duarte de Oliveira, Márcia
Camasmie Peters, Marcos Ribeiro de Barros, Maria Luciana de
Oliveira Facchina e Roberto Augusto Castellanos Pfeiffer e
Sueli Mitie Kusano e, em Assembléia de Fundação, aprovaram o
Estatuto Social do então chamado Instituto Paulista de
Advocacia Pública. Na oportunidade, aclamaram o companheiro
Carlos Alberto Americano - o Procurador do Estado que havia
dado o parecer contrário às famigeradas "importações de
Israel" no governo Quércia - como o presidente do Instituto,
o companheiro autárquico João Batista Aragão Neto (IAMSPE),
como vice-presidente e o Procurador do Estado Guilherme José
Purvin de Figueiredo, coordenador dos grupos de estudos
sobre "Interesses Difusos e Coletivos", responsável pela
conjunção dos quatro grupos na formação da nova associação,
como Secretário-Geral. Ana Lúcia Câmara (co-redatora da
minuta do primeiro estatuto social, juntamente com
Guilherme), Marcos Ribeiro de Barros (coordenador do grupo
da Procuradoria Fiscal), Ana Sofia Schmidt de Oliveira,
Celso Augusto Coccaro Filho (da PGM/SP), Suely Mitie Kusano
e Maria Luciana de Oliveira Facchina foram os demais
associados eleitos para a direção provisória do Instituto,
até a realização da Primeira Assembléia Geral Ordinária,
designada para o mês de dezembro de 1994. O que aconteceu
depois disso está retratado nas páginas desta home-page.
Ata da III Assembléia Geral Ordinária - Transformação do Instituto Paulista em Instituto Brasileiro de Advocacia Pública