IBAP - Igualdade Racial

Na véspera do Dia da Consciência Negra, Assembléia Geral dos associados do IBAP rejeita integralmente os argumentos apresentados pelo Partido dos Democratas em ADPF

Em continuidade à assembléia instalada no dia 30/10/2009, os associados do IBAP reuniram-se na manhã do dia 19/11/2009 para deliberar sobre sua participação em audiência pública convocada pelo STF e definir a posição oficial a ser assumida pela entidade.
Após leitura do relatório oferecido pelo Dr. Ricardo Antonio Lucas Camargo, diretor do IBAP e Procurador do Estado/RS, foram submetidas a votação  as quatro possíveis posturas a serem adotadas pela entidade, a saber:
1.Rejeição total às cotas – estabelece-se um diferencial que não é, efetivamente, compensado pela medida, porquanto se lança mão de um fator que não pesa no momento de definir o acesso à Universidade. O verdadeiro diferencial seria econômico e social, e não racial.
2.Compatibilidade, em termos, da política de ações afirmativas em matéria racial – aqui, surgem duas possibilidades:
2.1. As ações afirmativas com base no fator racial som
ente se justificariam quando houvesse a possibilidade material de este fator ser erguido como fundamento da discriminação. Assim, pode o ato questionado ser interpretado conforme à Constituição no que tange aos cursos em que haja fase de contato visual do examinador com o examinando (Música, Educação Física, por exemplo) e ser havido como perfeitamente constitucional em relação às medidas concernentes à adaptação do afrodescendente ou integrante de qualquer das nações indígenas ao meio universitário.
2.2. As ações afirmativas em relação à raça teriam sentido conjugadas ao fator social, recordando as medidas voltadas a realizar o equilíbrio entre partes que se colocavam em situações desiguais, especialmente no âmbito contratual. A raça, por si só, seria um fator insuficiente para justificar a adoção de cotas, mas aliada ao fator social, recordando que o afrodescendente pobre sofre uma discriminação maior do que o branco pobre, mereceria uma atenção especial. Neste caso, o que se faria seria tratar desigualmente os desiguais na medida de sua desigualdade.
3.Compatibilidade plena da política de ações afirmativas em matéria racial, tendo em vista serem elas aptas, em seu conjunto, a compensarem uma injustiça histórica e um presente de discriminação que continua a ocorrer, levando a alijar os que não sejam descendentes de europeus das posições de comando políticas e econômicas. A desigualdade a ser compensada, no caso, seria o afastamento real das populações integrantes de etnias outras que as descendentes de europeus das posições de poder, relegando-as, sempre, a um papel de sujeitos passivos do exercício deste, sem qualquer possibilidade de participação efetiva. Recorda-se que já existem reservas na experiência histórica brasileira sem que se aponte para inconstitucionalidade, como é o caso das mulheres, no âmbito eleitoral, e das vagas para trabalhadores nacionais, no âmbito trabalhista.
Feito o cômputo dos votos, o resultado final foi:

Alternativa 1

Alternativa 2.1

Alternativa 2.2

Alternativa 3

0%

6,7%

13,3%

80%

Assim, com uma significativa maioria de votos, o Instituto Brasileiro de Advocacia Pública assume oficialmente posição a favor do sistema de cotas, tanto as sociais como as raciais, bem como pela REJEIÇÃO DOS ARGUMENTOS E IMPROCEDÊNCIA TOTAL DA ARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL proposta pelo Partido Democratas, em trâmite junto ao Supremo Tribunal Federal.
A decisão histórica tomada na véspera do Dia da Consciência Negra, é resultado de um intenso debate levado a efeito em todo o país (leia nota "Combate à discriminação e as políticas de cotas raciais e sociais"), coloca o IBAP inequivocamente ao lado dos segmentos progressistas da sociedade em defesa da igualdade racial.


Combate à discriminação e as políticas de cotas raciais e sociais

No período de 3 a 5 de março de 2010, o Supremo Tribunal Federal realizará de audiência pública a respeito do tema "cotas raciais e sociais", para o ingresso em Universidades. Considerando a relevância do debate sobre este tema para o aperfeiçoamento da democracia no país e a inexistência de consenso no âmbito do IBAP acerca da política mais adequada para a erradicação completa do racismo e para uma verdadeira inclusão social de todos os grupos formadores da nação brasileira, o IBAP realizou em outubro reuniões em todo o país e, no dia 30, instalou em sua sede nacional uma Assembléia Geral Extraordinária, para tomada de posição oficial. No dia 19/11 será votada esta posição. Assim, é importantíssima a participação de todos os associados nos debates e, se possível, também na Assembléia.
Reuniões realizadas no dia 16 de outubro de 2009, 10h:   - Núcleo IBAP/Espírito Santo: Rua José Alexandre Buaiz, 190 - Ed. Master Tower, Sala 1119 - Enseada do Suá - Vitória - Coordenação: Luiz H.Antunes Alochio - alochio@alochio.adv.br; - Núcleo IBAP/Pará - Rua dos Tamoios, 1671 - Belém (Sede da PGE/PA) - Coordenação: Ibraim J. M. Rocha - ibraim.rocha@pge.pa.gov.br; - Núcleo IBAP/Paraná - Rua Engenheiros Rebouças, 1206 - Sala de Reuniões - 2º andar - Curitiba (Instituto Ambiental do Paraná) - Coordenação: Cecy Góes - cecygoes@iap.pr.gov.br; - Núcleo IBAP/Rio de Janeiro - Av. Marechal Câmara, 210 - 5º Andar - Centro - Porto Alegre (IAB) - Coordenação: Sérgio Sant'Anna - sergio_santanna@uol.com.br; - Núcleo IBAP/Rio Grande do Norte - Av. Câmara Cascudo, 478 - Cidade Alta - Natal (OAB/RN) - Coordenação: Marise Costa de Souza Duarte - marise_csd@yahoo.com.br; - Núcleo IBAP/Rio Grande do Sul - Av. Borges de Medeiros, 1501 - 11º Andar - Porto Alegre (PGE/RS) - Coordenação: Ricardo Antonio Lucas Camargo - versianicamargo@terra.com.br; - Núcleo IBAP/São Paulo: Rua Cristóvão Colombo, 43 - 9º Andar - Centro - São Paulo (Sede do IBAP) - Coordenação: Regina Helena Piccolo Cardia - piccolocardia@sabesp.com.br. Reunião realizada em 21 de outubro de 2009, 15h: - Núcleo IBAP/Distrito Federal: SBN - Ed. Central Brasília, 12º Andar - Brasília (Escritório da PGE/PR). Coordenação: Márcia Dieguez Leuzinger - marcia.leuzinger@uol.com.br. Reunião realizada em 26 de outubro de 2009, 16h: Núcleo IBAP/Paraíba - Av.Epitácio Pessoa, 1457 - Bairro dos Estados - João Pessoa (PGE/PB) - Coordenação: Sanny Japiassu - sannyjapiassu@yahoo.com.br.


EDITAL DE CONVOCAÇÃO - ASSEMBLÉIA GERAL EXTRAORDINÁRIA

O Instituto Brasileiro de Advocacia Pública, nos termos do art. 10 de seu Estatuto Social, convoca seus associados regulares para participarem da Assembléia Geral Extraordinária, que se realizará no dia 30 (trinta) de outubro de 2009, às 9h00 em primeira convocação e às 9h30 em segunda convocação, na cidade de São Paulo, na Rua Cristóvão Colombo, 43 - 9º Andar, nos termos do Estatuto Vigente, para deliberarem sobre os seguintes tópicos: (a) Debate sobre o tema "Combate à discriminação e as políticas de cotas raciais e sociais; (b) Redação, se for o caso, de documento com a posição oficial do IBAP sobre o tema; (c) Designação, se for o caso, de diretor para defesa da posição do IBAP em audiência pública no STF.
São Paulo, 9 de outubro de 2009

Guilherme José Purvin de Figueiredo
IBAP / Presidente


ATENÇÃO: Referida assembléia, instalada em 2ª convocação às 9h30 do dia 30/11/2009, com a presença de representantes dos núcleos gaucho, potiguar e paraibano, além de sócios de Sâo Paulo e Minas. foi interrompida às 12h e terá continuidade às 9h do dia 19/11/2009, para deliberação final. . Por enquanto já foram aprovadas: (1) Participação do IBAP; (2) Apoio às cotas sociais; (3) Formação de grupo de trabalho, coordenado pelo Ricardo Camargo (RGS) para conduzir as discussões sobre "cotas raciais" isoladas da questão social Também foi criado um blog para registro do debate: http://questaoracial.blogspot.com.