Saúde Mental e Violência
Mônica de Melo
Diretora do Instituto Brasileiro de Advocacia Pública
Procuradora do Estado de São Paulo
Aí vai um alerta para todas as pessoas que, de alguma forma, estão envolvidas com o atendimento de mulheres vítimas de violência doméstica. Recentemente foi noticiado pela Revista feminista "Mujer/Fempress n. 219/220 a descoberta de uma síndrome de estresse crônico nas/os profissionais que trabalham no campo da violência familiar. Especialistas americanas em psicologia da saúde perceberam que os que trabalham com atenção intensa e prolongada com vítimas da violência doméstica tornam-se mais vulneráveis emocionalmente. Isso ocorre, em parte, porque as vítimas costumam adotar como parte de seu quadro uma atitude de dependência e de permanente necessidade de apoio das profissionais envolvidas com o serviço, seja de natureza médica, jurídica, psicológica ou social.
Essa síndrome foi chamada de "burnout" e caracteriza-se por um processo marcado pelo cansaço emocional, o abandono da realização pessoal, baixa tolerância ao fracasso, necessidade de excelência e perfeição, junto com insatisfação permanente e sobrecarga na agenda de trabalho. O cansaço e esgotamento emocional é a primeira fase do processo que culmina com uma progressiva perda das energias vitais e uma desproporção crescente entre trabalho realizado e cansaço experimentado. Nessa etapa as pessoas se mostram mais irritadas, aparece uma queixa constante da quantidade de trabalho realizado e se perde a capacidade de realizar adequadamente as tarefas. De um ponto de vista externo essas pessoas aparentam estar permanentemente insatisfeitas, queixosas e irritáveis. Essas pessoas demonstram uma hiperatividade que aumenta a sensação de esgotamento, alternando nessa fase momentos de depressão e hostilidade.
Quando chega a fase do abandono de realização pessoal, há um constantes afastamento de todas as atividades que não sejam de trabalho e um crescente afastamento das atividades familiares, sociais e de lazer, criando uma espécie de auto-reclusão.
Essa síndrome, ao contrário do stress comum, não cessa após um período de repouso ou de férias. As pessoas que estão em contato permanente com vítimas de violência, dando apoio jurídico, médico, psicológico ou social devem estar atentas e devem procurar desenvolver atividades externas ao trabalho, intensificar e valorizar as relações pessoais e familiares, desenvolver atividades de lazer, ter tempo para passear e para férias, desenvolver alguma atividade física, pois só assim estarão prevenindo essa situação de estresse crônico decorrente do trabalho.
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