Protestos de várias
entidades brasileiras fizeram a Petrobras perder o posto de companhia
com melhor reputação ética entre as multinacionais do petróleo e gás,
num índice publicado na Suíça, e ficar agora em quarto lugar numa
classificação que ajudava na sua imagem corporativa.
O índice anual de ética cobrindo 581 multinacionais de 18 setores é
publicado todo mês de janeiro pela empresa suíça Covalence. Leva em
conta informações sobre 45 critérios, como impacto ambiental da
produção, promoção social, gestão de detritos, informação ao consumidor,
inovação ecológica de produtos, presença internacional, riscos
ambientais, padrões trabalhistas e política anticorrupção.
Assim como existem Moody´s ou Fitch para classificar risco-país, a
Covalence quer ser a agência de classificação social das empresas. Ela
baseia seu índice em informações de oito mil fontes, sobretudo a
imprensa, em inglês, francês, alemão e espanhol.
Na classificação de 2008, a Petrobras foi apontada a líder entre as
companhias de petróleo e gás, seguida pela canadense Suncor Energia e
pela StatoilHydro da Noruega. Mas a reação foi rápida, com uma carta de
protesto assinada pelo Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais e
de Biodiversidade, Secretaria de Verde e Meio Ambiente do município de
São Paulo, Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, Fundação
Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável, SOS Mata Atlântica,
Greenpeace Brasil Amigos da Terra, Instituto Akatu,
Instituto Brasileiro de Advocacia Pública, Movimento Nossa São
Paulo e Instituto Ethos.
Essas entidades se disseram "surpresas" e alegaram junto à Covalence que a
Petrobras não se enquadrava nos critérios estabelecidos. Acusaram a
empresa brasileira de produzir ou distribuir diesel entre 500 e 100
partes por milhão (ppm) de enxofre, comparado com o que dizem ser os
níveis de 10 a 15 ppm na Europa e nos Estados Unidos.
Acusaram a Petrobras também de ter co-responsabilidade na má qualidade do
ar nas grandes cidades brasileiras "assim como nas mortes prematuras de
7 mil pessoas cada ano".
A Petrobras reagiu com outra carta para a empresa suíça, qualificando a
reação das entidades de "ações politizadas" e propagar "falsa informação
que pode causar danos a nossa companhia".
A companhia petrolífera insistiu que "investe fortemente na qualidade do
combustível", citando cifra de US$ 1,6 bilhão entre 2000-2007. E
considerou "questionável" a afirmação de que a quantidade de enxofre no
diesel seria responsável por sérias doenças respiratórias no país. "É
um erro dizer que apenas reduzindo o conteúdo de enxofre no diesel
pode-se resolver o problema da qualidade do ar", diz a carta da
companhia.
A Petrobras informou que desde o começo de janeiro fornecia diesel para
ônibus para as cidades de São Paulo e Rio com o nível de sulfúrico
determinado pela nova legislação brasileira.
Em seu ranking publicado ontem, a Covalence bateu o martelo. Derrubou a
Petrobras para quarto lugar, mas bem à frente em termos de ética e
responsabilidade ambiental do que Exxon (25), Shell (26), Total (28) e
Chevron (30).
"Nossa decisão foi influenciada por entidades brasileiras de meio
ambiente, consumidores, academia", confirmou um dos diretores da empresa
suíça, Marc Rochat. A sanção ocorre, segundo o diretor da Covalence,
porque ficou clara a contestação "à reputação ética na confrontação de
opiniões na esfera pública", levando-se em conta o que é publicado em
português.
Na categoria de companhias de recursos naturais, a Vale caiu da 8ª para
20ª posição, enquanto a Gerdau entrou no índice em 12ª posição. Por sua
vez, Itaúsa - Investimentos Itaú SA fica em nova posição entre as de
reputação ética na área de serviços financeiros. Na área de alimentos,
Anheuser-Busch Inbev fica em 9ª posição, bem melhor do que a Nestlé em
16ª .
Globalmente, a IBM, Intel e banco HSBC lideram o ranking entre as 581
multinacionais. A categoria de bancos tem a pior nota, entre os 18
setores.